|
PARA UMA JOVEM NEGRA DE CALCANHAR RÓSEO
No céu primitivo erguem-se imaculados os cantos dos pássaros e o fresco cheiro da erva ágil com eles se ergue, Abril. Ouço o respirar profundo da madrugada movendo as nuvens brancas dos cortinados e escuto a canção do sol nos taipais das janelas melodiosas. Sinto como que um hálito ou uma recordação de Naett na minha nuca apaixonada e nua E o meu sangue cúmplice, a despeito de mim, chocalha-me nas veias. És tu, minha amiga – ô! Escuta os suspiros escuta os quentes suspiros neste Abril dum continente novo Oh escuta, enquanto deslizam, no gelado azul, as asas das andorinhas migratórias e não te esqueça ouvir o murmúrio negro e branco das aves de arribação horizontais no extremo das suas velas desdobradas.
Escuta a mensagem da Primavera duma outra idade, dum outro mundo Escuta a mensagem da África longínqua e velha e a canção do teu sangue Pois eu estou ouvindo a seiva de Abril que nas tuas veias
cantando me desafia.
Tradução de Nicolau Saião
|